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Política econômica americana deve pautar encontro entre Trump e Bolsonaro nos EUA

Visita do Presidente brasileiro aos EUA será no próximo dia 19 de março. Modelo econômico adotado pelo presidente americano, responsável pelo crescimento dos Estados Unidos em mais de 3% em 2018, deve pautar grande parte do encontro, avalia economista brasileiro que atua nos EUA há 30 anos.

A relação entre Estados Unidos e Brasil está a poucos dias de ganhar novos capítulos. O encontro entre Jair Bolsonaro e Donald Trump está previsto para acontecer no próximo dia 19, em solo norte-americano. A expectativa é que a inter-relação receba medidas concretas de aproximação entre os países e reflita principalmente a área econômica e comercial.

A ida aos EUA será a primeira visita bilateral do presidente brasileiro. Conforme confirmado pelo Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, o compromisso faz parte da agenda internacional de março, que conta com visitas do presidente também ao Chile e a Israel. “Escolher os Estados Unidos como primeiro destino pode ser considerado um passo emblemático e que merece atenção. Reforça o interesse de o governo brasileiro estreitar as relações com o país”, pontua o economista e analista político Carlo Barbieri, que atua nos EUA e tem 30 anos de experiência no mercado americano.

Economista e Analista Político Carlo Barbieri

Para o enconomista, o sucesso da política econômica adotada por Donald Trump deve ser apresentado ao Presidente brasileiro e sua equipe. Os EUA são o segundo maior mercado exportador do Brasil, perdendo somente para a China. No ano passado, a economia norte-americana recebeu 12,3% do total exportado pelo Brasil. No caso da China, o percentual foi de 21,8%.

Os principais itens exportados para os Estados Unidos são óleo bruto de petróleo, aviões e produtos manufaturados de ferro e de aço. De acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, no ano passado, o superávit do Brasil para com os Estados Unidos foi de US$ 2,06 bilhões. O país exportou para os Estados Unidos US$ 26,872 bilhões e importou de lá um total de US$ 24,846 bilhões.

“O modelo econômico adotado pelo Presidente Donald Trump diminuiu a taxação empresarial e trouxe de volta inúmeras empresas aos Estados Unidos, aumentando a geração de empregos e aquecendo a economia do país. A redução do imposto de renda para empresas nos EUA de 35% para 21%, somado ao cenário de investimento seguro e com o menor percentual de risco, gera, inclusive, uma onda de empresas brasileiras que estão se internacionalizando para os Estados Unidos”, afirma Barbieri.

No ano passado, após parabenizar o Bolsonaro pela vitória nas urnas, o presidente norte-americano anunciou que os EUA pretendem avanças nas relações comerciais com o Brasil. “Pela primeira vez, em décadas, temos duas gestões presidenciais com discernimento sobre o potencial do livre comércio entre os países. A proximidade ideológica e política entre os dois líderes pode ser considerada também uma alavanca para as medidas que virão. Com esta visita, a intenção da equipe de Bolsonaro é buscar a abertura comercial visando a relação econômica a longo prazo com os Estados Unidos”, afirma Barbieri.

INTERNACIONALIZAÇÃO

O economista Carlo Barbieri, que dirige a Consultoria Oxford Group e auxilia empresários brasileiros a internacionalizar seus negócios aos Estados Unidos, acredita que encontro entre os dois presidentes deve ser pautado por um debate econômico que auxilie o Brasil a promover significativas mudanças econômicas. Um dos pontos, segundo ele, é a tarifação do IR para empresas, que no Brasil se matém em 34% – a mais alta entre os países do G-20 e do Brics. A média global é de 22,96%, segundo a consultoria EY.

“Com uma política econômica mais favorável aos empresários e à indústria, muitas empresas americanas poderão começar a enxergar o Brasil também como um país possível para internacionalizarem seus negócios. É uma matemática exata, mais vantagens maior potencial competitivo e melhores chances do Brasil atrair negócios e gerar empregos”, avalia Barbieri.

Segundo o especialista, sua consultoria Oxford tem sido procurada, após a eleição do Presidente Jair Bolsonaro, para consulta sobre o atual cenário econômico brasileiro. Antes de assumir o posto de presidente, Bolsonaro comemorou nas redes sociais que grandes empresas já anunciaram a intenção de investir no país. “Após as eleições, grandes empresas já anunciaram milhões em investimentos no Brasil nos próximos anos. É só o começo! Comércio com o mundo todo sem viés ideológico + Redução de impostos + Desburocratização = Mais confiança, mais investimentos e mais empregos”, escreveu o presidente eleito.