Aumenta número de jovens que não estuda nem trabalha no Brasil; Ensino online é a solução, afirma especialista

Um levantamento feito pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV Social) concluiu que a quantidade de pessoas entre 15 e 29 anos que não estudam nem trabalham — os chamados “nem-nem” — continua em franca expansão. Chegou a bater recorde histórico, de 29,33%, no segundo trimestre do ano passado, o maior patamar da série iniciada em 2012.

As comunidades consideradas minorias no Brasil foram as mais atingidas com os efeitos da pandemia do coronavírus. O estudo da FGV considerou que mulheres, negros, pessoas sem instrução e que habitam nas regiões mais pobres do país: Norte e Nordeste foram as mais impactadas com a diminuição do acesso a trabalho e estudo. Segunda a pesquisa quase 67% dos jovens nem-nem não tem instrução e isto impacta diretamente a perspectiva profissional.

Para o especialista em educação e tecnologia, Alfredo Freitas, que dirige a Universidade americana Ambra University, que há mais de 10 anos atua na formação superior totalmente online e em português, a saída para mudar essa realidade passa pelo investimento em ensino via internet. Segundo Freitas, enquanto investimentos na digitalização do ensino e das práticas pedagógicas não forem realizados, dificilmente se conseguirá mudar a realidade destas comunidades.

“No ensino via internet a escola vai até o aluno. Não seria mais necessário que esta parcela da sociedade tivesse tantos percalços para estudar, como por exemplo, percorrer longas distâncias até o campus da faculdade ou universidade mais próximas. Principalmente no interior do Brasil, onde o acesso ao ensino é mais difícil, a estratégia dos governos deveria ser pró ensino via internet. Nos EUA, essa facilitação de acesso às universidades por meio do ensino online aumentou o número de matrículas nesta modalidade”, explica Alfredo Freitas.

Regulamentado há 14 anos no Brasil, o ensino a distância superou pela primeira vez a oferta de vagas da educação presencial no país. De acordo com o Censo mais recente da Educação Superior, foram oferecidas 7,1 milhões de vagas a distância, frente a 6,3 milhões de vagas presenciais, mas é fundamental aproveitar o ensino via internet de forma inteligente.

Alfredo Freitas (Foto: Onevox Global)

“Enquanto gestores públicos e privados da educação no Brasil não enxergarem e atuarem, de fato, em defesa do ensino via internet, reforçando as características positivas que esta modalidade de ensino traz, será difícil mudarmos a realidade da educação no nosso país. Não haverá outro momento mais oportuno para este debate que agora, principalmente porque a pandemia mostrou que o ensino remoto, embora não recebendo investimentos ideais, foi responsável pela manutenção do aprendizado durante este período”, afirma Alfredo Freitas.

MENOR EVASÃO ESCOLAR

A pesquisa da FGV ainda mostra que houve uma queda na taxa de evasão escolar brasileira durante a pandemia. Fenômeno que se faz presente em todos os grupos jovens, atingindo o nível mais baixo da série histórica com 57,95% de 15 a 29 anos, era 62,2% em 2019. O dado revela que boa parte dos jovens brasileiros estão retomando os estudos. Para Alfredo Freitas o ensino via internet pode absorver essa parte da população já que o ensino remoto democratiza o acesso à educação.

“O sistema educacional brasileiro, de modo geral, exclui essa parte da população. E considerando o crescimento exponencial do ensino via internet no Brasil e no mundo, haverá cada vez menos barreiras. O ensino via internet vem crescendo e ganhando cada vez mais adeptos. É uma avalanche mundial que não encontra mais limites geográficos para aprender. Só no ano passado, por exemplo, o ensino virtual bateu Recorde ultrapassando o ensino presencial em matriculas em todo o mundo”, Afirma Freitas.

Último dado do Censo da Educação Superior no Brasil, mostrou que nos últimos 10 anos, o crescimento dos ingressantes em EAD foi de 226%, contra 19% da modalidade presencial, o número superou as expectativas para o ano de 2020.

*Alfredo Freitas é pós-graduado em ‘Project Management’ pela Sheridan College no Canadá, graduado em Engenharia de Controle e Automação e Mestre em Ciências, Automação e Sistemas, pela Universidade de Brasília. O renomado profissional tem mais de 15 anos de experiência em Tecnologia e Educação. É atualmente Diretor de Educação e Tecnologia da Ambra University. A Universidade americana é credenciada e tem cursos reconhecidos pelo Florida Department of Education (Departamento de Educação da Flórida) sob o registro CIE-4001. Além disso, a universidade conta com histórico de revalidação de diplomas no Brasil.

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