Brasileiros deverão aproveitar reabertura de aeroportos americanos para imigrar aos EUA, afirma pesquisador

O número de brasileiros detidos ao cruzar a fronteira do México com os EUA, somente em abril deste ano, já é o maior em 20 anos. Reabertura dos aeroportos para voos vindos do Brasil deverá diminuir a quantidade de pessoas que buscam entrar de forma irregular no país norte-americano, avalia pesquisador da imigração americana.

Nesta segunda-feira, 8, os Estados Unidos reabriram suas fronteiras a estrangeiros vacinados contra a Covid-19, acabando com 20 meses de severas restrições devido à pandemia. A reabertura, no entanto, deverá provocar o retorno de brasileiros interessados em imigrar aos EUA por via aérea e, consequentemente, diminuir o número de pessoas do Brasil que entram irregularmente pela fronteira. É o que afirma o pesquisador da imigração americana, o jornalista e escritor, Rodrigo Lins.

O número de brasileiros que tentam entrar irregularmente no país norte-americano cresceu em 2021. Em abril deste ano foram apreendidas 178.622 pessoas na fronteira com o México. Destas, 8.745 eram brasileiros. Os números oficiais mostram que outubro de 2020 a abril de 2021 o total foi de 14.600 brasileiros detidos na fronteira buscando entrar irregularmente no país. Um aumento que pode ter sido motivado pelo fechamento das fronteiras.

“Nos últimos 10 anos, aumentou consideravelmente a concessão de vistos de turista e estudante para brasileiros. Quem já tem um destes vistos e quer imigrar, comumente viola o status da sua autorização e entra nos EUA – via aeroporto – alegando motivo de viagem ou estudo, mas busca trocar imediatamente o visto já em solo americano a fim de permanecer no país. A reabertura vai retomar essa prática e deve diminuir a quantidade de pessoas que buscam entrar pela fronteira”, explica Rodrigo Lins, que em 2019 lançou livro sobre como trabalhar legalmente nos EUA.

Pela Porta da Frente

Paralelamente, aumentou também a procura de brasileiros por vistos legais nos Estados Unidos. O Brasil já é o 4º país que mais exporta profissionais para a terra do tio Sam. O pesquisador Rodrigo Lins avalia que as condições econômicas, insegurança e desvalorização profissional no Brasil estão entre os principais motivos apresentados por brasileiros que decidiram deixar o país rumo à américa.

“Mudou o perfil de imigrantes brasileiros nos EUA. Agora, mais escolarizados, procuram atuar nos EUA nas áreas de ciências, administração, negócios e artes. O mapeamento recente do Bureau of Labor Statistics Americano mostra que dos 27,2 milhões de trabalhadores estrangeiros empregados nos EUA, a maior parte, mais de 33%, já atua nestas áreas menos operacionais e mais intelectuais”, explica o pesquisador.

Diversidade de Vistos

Mas como um brasileiro pode imigrar legalmente aos EUA? Quais os vistos possíveis? O pesquisador, Rodrigo Lins, respondeu essas questões em seu livro: “Internacionalize-se: paramêtros para levar a carreira profissional aos EUA legalmente” e lista os vistos mais procurados por brasileiros na hora de imigrar definitivamente ao país. Veja:

1 – Visto EB1 – Green Card por meio de habilidades extraordinárias: O visto EB1 leva diretamente ao Green Card e normalmente é destinado para atletas ou artistas com reconhecimento nacional e/ou internacional, pesquisadores e palestrantes com trabalhos expressivos em suas respectivas áreas ou executivos de multinacionais, que estejam operando nos EUA há pelo menos um ano.

2 – Visto EB2- NIW- Green Card para profissionais bem capacitados e/ou de interesse nacional: O EB2 também leva diretamente ao Green Card, mas, diferente do EB1, é destinado para profissionais acima da média ou com habilidades excepcionais. Para os EUA, profissional com bacharelado + pelo menos 5 anos de experiência em sua área ou com bacharelado + mestrado (mesmo que com menos de 5 anos de experiência) são considerados profissionais acima da média e, portanto, elegíveis para pleitear esse Green Card. Agora, se além disso esse profissional for de uma das áreas nas quais os Estados Unidos enfrentam déficit de profissionais, tais como Engenharia, T.I., Fisioterapia, Odontologia, Enfermagem e Aviação, o processo fica ainda mais facilitado. Por isso, nos permite aplicar por meio da subcategoria NIW (National Interest Waiver) apelando pela jurisprudência “Matter of Dhanasar”, 26 I&N Dec. 884 (AAO 2016).

3 – Visto EB3 – Green Card por meio de um empregador americano: O visto EB3 é direcionado para profissionais com pelo menos dois anos de experiência em suas respectivas áreas e, em todos os casos, exige que o processo imigratório seja realizado mediante um processo laboral realizado por um empregador americano que aceite contratá-lo. Nesse processo laboral é solicitado que esse empregador comprove que não obteve mão de obra similar nos EUA. Essa comprovação, normalmente, ocorre por intermédio de anúncios de vagas que não foram preenchidas após 90 dias. Ele também leva diretamente ao Green Card.

4 – Visto L1 – Visto para morar e trabalhar nos EUA por meio de transferência entre empresas: O Visto L1 pode tornar alguém elegível ao Green Card após um ano de aprovado. O requerente a este visto precisa estar em transferência entre uma empresa matriz estrangeira para uma filial/subsidiária americana. Precisa ser considerado um manager ou executivo dessa empresa e, assim, aplicar para a subcategoria L1-A ou ser um profissional de uma mão de obra especializada, como profissional de T.I. ou um designer, por exemplo, e, com isso, aplicar para a subcategoria L1-B. Também é exigido que esse profissional faça parte do quadro de colaboradores da empresa matriz por pelo menos um ano antes da aplicação do visto. O período máximo de estada permitido para um profissional nesse tipo de visto é de sete anos. Mas, como dito acima, o visto L1 permite que a partir de um ano o portador do visto aplique para o Green Card por meio do EB1-C em caso de gerentes e executivos ou para o Green Card por intermédio do EB3, em caso de mão de obra especializada.

5 – Visto E2 – Visto para morar e trabalhar nos Estados Unidos por meio de investimentos: O visto E2 não leva ao Green Card, mas é renovável por quantas vezes o solicitante quiser por períodos de em média dois anos. O requerente a este visto precisa, primeiramente, possuir cidadania de um dos países que fazem parte do tratado de navegação e comércio com os EUA. A lista desses países é bem ampla, mas os mais comuns são Argentina, Paraguai, Chile, Colômbia, Itália, França e Alemanha. Possuindo cidadania de um dos países que fazem parte do tratado com os EUA, basta que esse requerente realize um aporte financeiro em um negócio próprio. Quanto ao investimento mínimo, o texto legal não faz qualquer exigência expressa, mas requer que seja um montante substancial para aquele nicho de mercado. Essa comprovação é realizada via estudo de mercado e business plan. Apenas como um número de referência, existem vários casos de sucesso com investimentos em pequenas franquias, por exemplo, em que o aporte foi em torno de 100 mil dólares.

6 – Visto EB5 – Green card por meio de investimento: O EB5 leva diretamente ao Green Card. O único pré-requisito para obter este visto é comprovar um investimento mínimo de 500 mil dólares em áreas com déficit de investimentos por intermédio de centros regionais autorizados pela imigração americana a realizarem tal captação ou de aproximadamente 1 milhões de dólares em qualquer outra área. Nesse caso, é possível que seja até em um negócio próprio, desde que esse negócio gere ao menos 10 novos postos de emprego nos Estados Unidos.

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