Pauta l Especialista orienta soluções imediatas para falta de estoque de medicamentos no Brasil

Nesta semana foi noticiada a falta de medicamentos em diversas regiões do Brasil. O especialista em infraestrutura, logística e comércio exterior, com mais de 50 anos de experiência, Paulo César Alves Rocha, recomenda ações que poderiam auxiliar o governo a driblar este problema que afeta a vida de inúmeros brasileiros.

Para o especialista, três providências simples poderiam resolver o problema. Segundo ele, o Governo precisa assumir a posição central nesta dinâmica. “O Governo Federal, principal provedor do Sistema Único de Saúde – SUS compraria por pregões medicamentos, insumos e materiais de uso comum necessários. O Governo é um grande comprador e deve aproveitar este fato para contratar sem intermediários com preços bem menores”, explica o especialista.

Paulo César Alves Rocha também explica que “a entrega seria feita diretamente às unidades de saúde do SUS e aos pacientes quando fosse o caso. Para a compra e distribuição, o Governo usaria a experiencia das empresas que fazem esta distribuição e entrega, largamente utilizadas via Internet, que têm uma imensa rede de entregas no Brasil atualmente”, pondera.

Para ele, se fosse dessa forma, não haveria superfaturamento ou perda do prazo de validade de medicamentos no Brasil. “Para auditar os pregões eletrônicos podem ser checadas informações de empresas que os oferecem na Internet”.

Estoques Estratégicos 

O especialista também acredita que o Brasil deveria criar estoques estratégicos para insumos e produtos. Para ele, a logística de Comércio Exterior, que compreende as operações entre nações, desenvolveu-se de maneira exponencial com o conceito das cadeias de suprimento, em que se aproveitava em cada País o que ele podia fornecer com melhor qualidade e menor custo, fazendo com que mercadorias sejam produzidas com partes de diferentes Países.

“As facilidades do transporte aéreo a custos relativamente baixos e o transporte marítimo com escalas programadas, completavam o cenário de incremento da logística internacional. Estas facilitavam a política de estoque mínimo. A Pandemia e a Guerra na Ucrânia, com problemas criados nos transportes aéreos e marítimos entre outros, fizeram com que se iniciasse um movimento de se pensar em se ter estoques estratégicos pelo menos de determinados insumos”, explica.

O especialista mostra que são exemplos clássicos a falta de semicondutores, pequenas peças de plástico, insumos de remédios, contêineres, fertilizantes, gás natural e derivados de petróleo. “Para a existência destes estoques estratégicos de insumos, existem soluções para que se façam no Brasil como o pagamento dos diversos tributos apenas quando de sua utilização, utilizando-se de Regimes Aduaneiros Especiais”, pondera.

*Paulo César Alves Rocha é especialista em infraestrutura, logística e comércio exterior com mais de 50 anos de experiência em infraestrutura, transportes, logística, inovação, políticas públicas de habitação, saneamento e comércio exterior brasileiro. Mestre em Economía y Finanzas Internacionales y Comércio Exterior e pós-graduado em Comércio Internacional pela Universidade de Barcelona. É mestre em Engenharia de Transportes (Planejamento Estratégico, Engenharia e Logística) pela COPPE-UFRJ. Pós-graduado em Engenharia de Transportes pela UFRJ e graduado em Engenharia Industrial Mecânica pela Universidade Federal Fluminense. Tem diversos livros editados nas Edições Aduaneiras.

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