A quem interessa o Professor Robô nas Universidades?

Por: Alfredo Freitas*

Dados do último senso da educação no Brasil mostram que o país tem 2,6 milhões de professores. Uma carreira que está vivenciando mudanças profundas a partir da ampliação do ensino remoto durante a pandemia, principalmente nas universidades brasileiras. Notícias recentes dão conta do aparecimento de um novo fenômeno nas instituições de ensino que denomino: o professor robô.

O termo consiste na massificação da atuação de professores que antes, detidos nos limites físicos da sala de aula no ensino presencial, tinham número mínimo de estudantes por turma, mas agora, a partir da ampliação do ensino remoto, passaram a ser obrigados a atender centenas de estudantes conectados em diversas localidades. As turmas gigantes desconsideram as práticas pedagógicas que sustentam o processo de ensino e aprendizagem e transformam a dinâmica da sala de aula em uma grande ilusão de aprender.

Mas a pergunta que fazemos é: a quem interessa manter a figura do professor robô nas instituições de ensino? Quem, de fato, ganha com essa prática de mercado que fragiliza os pilares do saber e a transmissão genuína de conhecimento sobretudo no ensino superior?

O ensino via internet é uma realidade irreversível no Brasil e no mundo e vem ganhando um novo impulso neste mundo pós-pandêmico. Como diretor da universidade americana, Ambra University, que ensina totalmente online há mais de 10 anos e também especialista em educação e internet com mais de 20 de experiência, considero ariscada essa nova lógica totalmente quantitativa no ensino.

Acredito que os novos universitários devem estar atentos à qualidade dos cursos superiores online que se matriculam. É preciso observar se haverá contato com feedbacks dos professores e a quantidade de alunos por turma. Vivemos um ‘boom’ de instituições de ensino superior que chegam a colocar mais de 100 alunos por turma e isso faz com que o professor seja comparável a um robô. Não há qualidade de ensino que se sustente nesse cenário. Em tempo, é possível ter ensino remoto de excelência o qual precisa de uma adequada relação do número de alunos professores para que esses atendam e acompanhem seus estudantes.

Acredito que mais digitalmente adaptados, os estudantes passarão a distinguir mais entre as instituições de ensino superior que apostam na massificação da proposta de aprendizagem e aquelas que priorizam a qualidade do ensino. A diferença essencial entre um curso de excelência para cursos de diplomação massiva é que, na excelência, os professores, treinados e qualificados, oferecem contato individualizado e apresentam constantemente feedbacks a cada estudante garantindo, que cada um realmente tenha alcançado os objetivos traçados por cada professor em cada disciplina. Sem esse contato entre professor-aluno, dificilmente haverá aprendizado satisfatório.

Parece ultraje ter que defender algo tão óbvio, mas no ritmo que esta lógica de mercado no ensino superior avança, é cada vez mais veloz também a ineficácia dos cursos superiores brasileiros. O fato concreto é evidente. Universidades presenciais e online com mensalidades muito baixa, usualmente, sobrecarregam professores com turmas muito lotadas e oferecem curso superior ‘de massa’.

O que é recorrente e realmente significativo em educação é o custo de pessoas e por isso temos instituições presenciais que conseguem operar com mensalidades de R$ 250 e outras que precisam operar com mensalidades de R$ 2.000 ou mais. Não é porque o prédio daquela com mensalidade menor é um prédio muito pior, mas sim porque as universidades que investem mais em professores, garante tempo para acompanhamento, supervisão, avaliação, conversas e feedback aos estudantes tendem a cobrar mais por isso.

Professores, orientadores educacionais, supervisores, gestores de professores, equipe multidisciplinar, todos fazem parte de um grande investimento institucional pró qualidade do ensino. São estas equipes que darão suporte e supervisão para que o ensino seja de qualidade. Quanto mais qualificados são estes profissionais, mais a instituição deverá investir para retê-los em seus quadros funcionais. Isso é repassado no valor da mensalidade paga.

Esta conta não deve fechar em saldo positivo. O tempo nos mostrará que a lógica do professor robô deverá impactar na formação superior de forma incisiva. Em pouco tempo será menor a densidade intelectual dos professores, menor suas entregas em sala de aula, e consequentemente menor o conhecimento repassado nestas turmas digitais massivas e inócuas.

*Alfredo Freitas é pós-graduado em ‘Project Management’ pela Sheridan College no Canadá, graduado em Engenharia de Controle e Automação e Mestre em Ciências, Automação e Sistemas, pela Universidade de Brasília. O renomado profissional tem 20 anos de experiência em Tecnologia e Educação. É atualmente Diretor de Educação e Tecnologia da Ambra University. A Universidade americana é credenciada e tem cursos reconhecidos pelo Florida Department of Education (Departamento de Educação da Flórida) sob o registro CIE-4001. Além disso, a universidade conta com histórico de revalidação de diplomas no Brasil.

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