Pauta l Governo precisa de estratégia urgente para estocar gás natural, fertilizantes e remédios, afirma especialista

Recentes casos de escassez de insumos e medicamentos no Brasil, somados ao cenário internacional instável com a guerra entre Rússia e Ucrânia, e embate comercial China e EUA, geram alerta para novo Governo no Brasil. É o que afirma o especialista em infraestrutura, logística e comércio exterior, com mais de 50 anos de experiência, Paulo César Alves Rocha. 

O Brasil pode parar se continuar a seguir a lógica atual de abastecimento e estocagem de insumos como gás natural, fertilizantes e remédios. Afirma Paulo César Alves Rocha que ao longo dos últimos 50 anos monitora questões ligadas a infraestrutura e logística no país. O especialista pondera que o atual modelo logístico para o Comércio Exterior brasileiro, pautado nas operações e troca de produtos entre as nações foi alterado pela pandemia e pelos recentes eventos da guerra na Ucrânia e embate comercial americano e chinês.

“As facilidades dos transportes aéreo e marítimo trouxeram um comodismo aos países para estocagem de insumos. A pandemia, a guerra entre Rússia e Ucrânia e o embate comercial entre EUA e China estão obrigando os países a saírem desta zona de conforto e voltar a pensar em estocagem e armazenamento de produtos. O Brasil precisa avançar para não ficar para traz e sofrer, no curto prazo, com a escassez de alguns produtos internacionais”, explica o especialista.

Indústria Paralisada 

De acordo com o especialista, se o Governo brasileiro não pensar estrategicamente neste momento a indústria de todo o país pode literalmente parar nos próximos meses. “Podemos sofrer com a falta de semicondutores, pequenas peças de plástico, insumos de remédios, contêineres, fertilizantes, gás natural e derivados de petróleo. Para a existência destes estoques estratégicos de insumos, existem soluções para que se façam no Brasil como o pagamento dos diversos tributos apenas quando de sua utilização, utilizando-se de Regimes Aduaneiros Especiais”, pondera o expert. Existe, Regimes Especiais que podem ajudar nos estoques estratégicos , que temos experiência na LDCccomex.

Saúde em Risco 

Ainda de acordo com o especialista, sobre a questão da falta de medicamentos no Brasil, três providências devem ser imediatamente tomadas. “O Governo precisa assumir a posição central nesta dinâmica. O SUS compraria por pregões medicamentos, insumos e materiais de uso comum necessários. O Governo é um grande comprador e deve aproveitar este fato para contratar sem intermediários com preços bem menores”, explica o especialista.

“É preciso que a entrega de medicamentos seja feita diretamente às unidades de saúde do SUS e aos pacientes. Para a compra e distribuição, o Governo usaria a experiência das empresas que fazem esta distribuição e entrega, largamente utilizadas via Internet, que têm uma imensa rede de entregas no Brasil atualmente. Se fosse desta forma, não haveria superfaturamento ou perda do prazo de validade de medicamentos no Brasil. Para auditar os pregões eletrônicos podem ser checadas informações de empresas que os oferecem na Internet”, pondera.

*Paulo César Alves Rocha é especialista em infraestrutura, logística e comércio exterior com mais de 50 anos de experiência em infraestrutura, transportes, logística, inovação, políticas públicas de habitação, saneamento e comércio exterior brasileiro. Mestre em Economía y Finanzas Internacionales y Comércio Exterior e pós-graduado em Comércio Internacional pela Universidade de Barcelona. É mestre em Engenharia de Transportes (Planejamento Estratégico, Engenharia e Logística) pela COPPE-UFRJ. Pós-graduado em Engenharia de Transportes pela UFRJ e graduado em Engenharia Industrial Mecânica pela Universidade Federal Fluminense. Tem diversos livros editados nas Edições Aduaneiras

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